Pílula do Câncer poderá ser vendida com suplemento alimentar

fosfoPílulas com fosfoetanolamina, a chamada “pílula do câncer”, podem chegar ao mercado com suplemento alimentar, mesmo sem terem passado por testes clínicos ou a eficácia comprovada. Dois pesquisadores da Universidade de São Paulo romperam com o grupo original e se associaram a um laboratório uruguaio para comercializar o produto.

A notícia foi publicada no jornal Folha de São Paulo (10/02/2017) e O Globo (14/02/2017) e tem sido considerada uma manobra para escapar dos processos de pesquisa e segurança exigidos em testes para medicamentos na legislação brasileira.

Desde 2015, a fosfoetanolamina tem sido o centro de uma polêmica envolvendo a Universidade de São Paulo, a justiça, a Anvisa e pacientes, saiba mais:

A polêmica “pílula do câncer”

Governo quer mudar repasse de verbas do SUS

Governo propõe mudar regras de repasse de verbas do SUS para cota única. Atenção básica pode estar em risco, dizem especialistas

O Ministério da Saúde divulgou no dia 7 de fevereiro uma proposta de alteração do modelo de repasse de verbas federais do SUS aos estados e municípios. Atualmente, o repasse é dividido em seis blocos temáticos: gestão (0,3%), investimento (2,6%), vigilância em saúde (2,7%), assistência farmacêutica (4,8%), atenção básica (16,7%), e assistência de média e alta complexidade (45,3%). A verba destinada a um bloco é de uso exclusivo em ações voltadas para a área específica. No modelo proposto, somente seriam mantidos dois grupos: investimento e custeio (envolvendo as demais cinco áreas do modelo anterior), cabendo ao gestor municipal ou estadual a decisão sobre a divisão dos recursos entre as áreas.

Por um lado, o governo defende que a mudança possibilita agilidade e eficiência na destinação da receita, evitando a paralisação de recursos. Por outro, críticos do modelo temem que áreas de menor visibilidade, porém de grande importância, como o a Atenção Primária em Saúde e o controle de vetores de doenças (Vigilância) sejam preteridas pelos gestores. Além disso, especialistas temem que o repasse em cota única incentive o modelo centrado no município em detrimento da organização regional do SUS, e que a estruturação da atenção básica, que muito evoluiu nos últimos anos e é uma área chave para o sucesso do sistema único, sofra severo retrocesso com a medida.

Veja na íntegra as reportagens veiculadas pela Folha de São Paulo, pela ABRASCO e pela Agência Brasil

 

Biopirataria: Guaranis reivindicam propriedade intelectual da estévia

steviaOs índios Guarani do Brasil e Paraguai estão no centro de uma disputa pela justa repartição dos benefícios da exploração comercial da estévia, adoçante natural tradicionalmente cultivado que está sendo amplamente utilizado na indústria de alimentos, conforme noticiou a BBC Brasil em dezembro de 2016.

De acordo com o a Convenção de Biodiversidade e o Protocolo de Nagoya, devem ser reconhecidos os direitos à justa repartição de benefícios dos povos tradicionais quando são elaborados produtos comerciais a partir de conhecimento tradicional.

A questão é tema de uma campanha organizada pelas ONGs europeias Public Eye, Fondation Daniele Miterand e Sum of Us, que organizaram uma petição para pressionar grandes indústrias como a Coca-Cola, Nestle e Cargill a reconhecerem os direitos à repartição justa dos lucros.

No relatório “O sabor agridoce da estévia” (The bitter-sweet taste of stevia”, em inglês), são apresentadas as consequências da exploração econômica do adoçante para os povos que tradicionalmente cultivavam a planta. Cerca de 80% da estévia utilizada em escala industrial vem da China.

Segundo a reportagem, o governo brasileiro e o paraguaio não estão envolvidos nas negociações entre as partes. No Brasil, a comunidade guarani tem cerca de 46 mil pessoas e, no Paraguai, são 15 mil.

Leia a reportagem completa Como um adoçante virou centro de uma batalha entre indígenas e multinacionais

Tuberculose recua na Rocinha com Estratégia Saúde da Família

A Estratégia Saúde da Família tem se mostrado eficiente em reduzir o número de casos e de óbitos causados pela tuberculose na cidade do Rio de e, em especial, na Rocinha, como noticiou a jornalista Cláudia Collucci no jornal Folha de São Paulo, em novembro de 2016.

Segundo a reportagem, dados preliminares de um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostram que as chances de cura da tuberculose aumentam em até 39% nas áreas cobertas pela Estratégia Saúde da Família (ESF) em relação àquelas sem cobertura. O índice de cobertura na cidade do Rio aumentou de 3,5% (em 2009) para 66% (em 2016). A taxa de cura passou de 66,1% (em 2001) para 81,2% (em 2013) e o número de mortos caiu pela metade, de 51 (2005-2009) para 29 (2010-2015).

A tuberculose é causada por uma bactéria transmitida pelas vias aéreas,  sua disseminação é favorecida pela aglomeração de pessoas, pouca incidência da luz do sol e baixa ventilação. Embora a ESF tenha se mostrado eficiente no diagnóstico precoce, destacando o papel dos agentes comunitários de saúde para a redução do abandono do tratamento, políticas públicas de urbanização e assistência social também são fundamentais para a eliminação das condições favoráveis à disseminação da doença.

Saiba mais, leia a reportagem na íntegra: http://m.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/11/1833657-na-rocinha-uma-mesma-rua-vive-diferentes-extremos-da-tuberculose.shtml

Uso de crack é consequência da exclusão social e não a causa, diz pesquisa

O uso do crack é consequência de uma vida precária que leva à dependência e faz com que muitos sejam encontrados em situação de pobreza extrema, usando a droga nas ruas de cidades brasileiras, vulneráveis a riscos, como homicídios. Essas são algumas das conclusões da pesquisa Crack e Exclusão Social ,realizada por meio de entrevistas com usuários da droga na região metropolitana de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Salvador e Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense e coordenada pelo sociólogo Jessé Souza.

Essa constatação contradiz o senso comum, pois é comum acreditar na droga como causa para a exclusão e estigma e, não, o contrário, o que suporia que, graças ao uso da droga, a pessoa perderia sua humanidade e habilidade de convívio social. Contudo, ao avaliar mais profundamente, nota-se a “inexistência” de certas pessoas para a sociedade antes do uso de droga, sendo a mesma uma medida de “fuga da realidade”.

Quando perguntados sobre o que precisavam para largar a droga, as respostas dos usuários eram claras: um local para morar, para tomar banho, para comer, trabalho e tratamento. Diante de tal cenário, Jessé Souza concluiu que reverter a dependência é possível por meio de políticas públicas sociais, de saúde e de reintegração na comunidade e nas próprias famílias. Como exemplo, citou o programa da prefeitura de São Paulo, De Braços Abertos  que tirou usuários das ruas do centro, oferecendo moradia em hotéis próximos e empregos como gari, pagando salário e oferecendo tratamento.

Sendo assim, a importância de programas sociais de integração é, mais uma vez, pronunciada, bem como a necessidade do apoio de amigos e familiares para reestruturação da vida dos dependentes do crack.

Saiba mais , leia a reportagem da Agência Brasil