Transpusemos o Rio São Francisco: e agora?

radis_177_ensp_internaAs obras de transposição do Rio São Francisco foram iniciadas em 2007 para abastecer o sertão nordestino. Dez anos depois, no mês de março, o primeiro trecho da mesma foi entregue. Agora algumas perguntas pairam no ar: será que a água já chegou na torneira da população? Quais foram as consequências da obra para os moradores da região? Como a geografia local foi alterada? Essa é a temática abordada por Ana Cláudia Peres em reportagem para a revista Radis, edição junho/2017.

Inicialmente, nos é contada a história de seu Lídio Pedroza, que teve a casa posta abaixo, pois as obras da transposição cortaram seu pedaço de terra. Ele conta que só conseguiu se reestruturar depois de um ano com depressão e muitos remédios para abaixar a pressão arterial. Seu Abílio e Cida também encararam a desapropriação de parte de suas terras para realização das obras. O primeiro batalhou para receber uma remuneração mais justa pelo seu terreno, enquanto a segunda ainda está na luta pelo mesmo motivo.

Valdemir Lisboa, cacique da comunidade indígena Pipipã (PE), lamenta a perda de plantas medicinais e o desaparecimento de animais silvestres, bem como as modificações no solo. Enquanto isso, o processo de regularização fundiária solicitada pelos povos Pipipã, que tramitava no Ministério Público há 10 anos e, teoricamente, era um dos condicionantes para instalação da obra no local, ainda não avançou.

Apesar do sofrimento, quase todos os entrevistados tocam em um ponto comum: acreditam que as obras possam trazer benefícios à população nordestina, desde que a água chegue em cada residência. Para os críticos, infelizmente, as verdadeiras motivações para a transposição seriam os interesses do agronegócio, hidronegócio e setores industriais.

Muitas são as opiniões e incertezas a respeito da iniciativa. Contudo, independentemente de posicionamento favorável ou contrário às obras da transposição do Rio de São Francisco, é fato que existe um outro lado da história, que também precisa ser contado.

Confira a reportagem completa aqui.

Menos é mais: quando o consumo consciente é urgente para defender direitos

Mulheres e meninas em países como China e Bangladesh são as responsáveis pela confecção de roupas, bolsas e sapatos vendidos nas lojas de vestuário e acessórios de apelo popular como a “Forever Twenty One” e “Renner”, “Zara”, “Nike” e “Farm”. Estes produtos são hiper consumidos principalmente por outras mulheres dos continentes europeu e americano

O regime de trabalho é semelhante ao que a legislação brasileira categoriza como trabalho escravo: sem horário de almoço ou qualquer intervalo para descanso respeitado, com um salário que dificilmente apresenta condições para estas manterem uma alimentação digna e equilibrada nutricionalmente.

Esta cadeia de confecção de roupas começa muito antes das costureiras, ela se inicia com os homens que plantam algodão em larga escala, com sementes transgênicas, cultivadas com agrotóxicos pulverizados, poluindo o solo e as águas. Uma das consequências da poluição ambiental com substâncias químicas é o aumento de doenças e até mesmo a taxa de suicídio de homens adultos ( a maior do mundo em Bangladesh por exemplo).

A questão tem sido debatida nas redes sociais, como num contexto de Capitalismo, é possível consumir sem violar direitos humanos e ambientais?

Nesse sentido, surgem adeptos do “consumo consciente” (Slow Fashion) que pode ser a alternativa  prática ecológica e compromissada com o desenvolvimento social. Basicamente seria  comprar o mínimo,  somente o que é necessário e não por impulso ou estímulo da moda,.

Se com estas atitudes não podemos desmontar um modelo de produção não sustentável, dependente de um sistema em que seres humanos e fauna e flora são desvalorizados, pelo menos, podemos contribuir para diminuir o grande percentual de estímulos a uma produção excedente, e sem real importância. Este movimento cada vez mais se espalha como prática pelo mundo, principalmente entre blogs e páginas de redes sociais voltadas para jovens.

Dicas para consumir de forma consciente:

– Fazer uma faxina no armário para ver o que realmente você usa com mais frequência, o que é uma peça de significado afetivo e não quer doar, e separar daquilo que pode doar para orfanatos, asilos, instituições filantrópicas em geral.

– Visitar brechós de todos os tipos e “garimpar” neles: sejam os de igrejas, de internet, ou os mais conceituais, afinados com as tendências de moda.

– Relembrar ou aprender em curtos vídeos no Youtube simples dicas das nossas avós para costuras não elaboradas: como fazer bainha numa saia ou uma pence na calça jeans.

– Trocar peças de roupas que não lhe interessam mais, entre amigos e outros conhecidos.

– Consumir roupas feitas por marcas locais.

Saiba mais:

http://modices.com.br/comportamento/mais-consciencia-menos-consumo/

https://www.youtube.com/watch?v=lhqBlYjW3v8

http://modices.com.br/comportamento/consumo-consciente/slow-fashion-e-o-desaceleracao-da-vida/

 

Veja, filme, transforme: organização não governamental orienta como usar imagens para defender direitos

witness

“Veja. Filme. Transforme.” Esse é o lema da organização internacional Witness, que apoia movimentos populares em diversos países na defesa de direitos humanos.  Para orientar como produzir registros em imagens sobre situações de violações de direitos, foi criado o manual em português com 10 dicas para filmar, com segurança e eficácia, protestos, manifestações e conduta policial. Há também um documento específico ensinando a filmar violência policial na favela utilizando o celular. A publicação foi feita através de sua página no Facebook, após o menino Educardo de Jesus, de 10 anos de idade, ser morto no Complexo do Alemão em 2015 e um vídeo de policiais militares próximos de seu corpo viralizar nas redes sociais.

Filmar detalhes, registrar hora e local do fato e buscar informações complementares são algumas das orientações dadas. A organização afirma ainda que, de acordo com a Constituição brasileira, o cidadão tem direito de fotografar e filmar a polícia em espaços públicos e nenhum policial pode obriga-lo a parar de filmar ou apagar as imagens. Entretanto, é aconselhado acatar a ordem caso sua segurança esteja em risco.

Também foi divulgada uma cartilha com dicas de como se proteger após ter produzido ou recebido vídeos que contenham flagrantes de violação de direitos humanos. É preciso avaliar os riscos e ter uma estratégia antes de divulgar o vídeo. Caso o vídeo tenha sido gravado por terceiros, antes de enviá-lo a alguém, é necessário avaliar a ética e a segurança, além de verificar a autenticidade do conteúdo.

A Witness se declara uma organização sem fins lucrativos que capacita e ajuda pessoas a usarem o vídeo na luta por direitos humanos. O objetivo é expor violações aos direitos humanos com segurança e eficácia, em busca de um mundo mais justo e digno.

Saiba mais:

Jornalismo amador 

Planos de Saúde “Populares” e a perda de direitos

Desde que assumiu o Ministério da Saúde, Ricardo Barros tem criticado o SUS (Sistema Único de Saúde) e aquilo que, há poucos anos, era entendido como algo contraditório como “pagamento mensal por uso” e SUS pode ser uma realidade para os brasileiros, em um futuro próximo.

A proposta do ministro, cuja trajetória política está associada às empresas de medicina de grupo, os “planos de saúde”, seria aliviar a conta de um sistema de saúde universal e integral. O cenário atual é de crise tanto para as empresas de medicina de grupo, que enfrentam problemas financeiros e têm dificuldades de garantir os serviços contratados por seus usuários, a maioria vinculada por meio planos para empresas e, não, individuais, quanto apara o serviço público, que tem absorvido cada vez mais pessoas sem que os recursos investidos tenham aumentado.

Tendo em vista que grande parte da população empregada formalmente ganha apenas um salário mínimo por mês, somente uma pequena parcela da população conseguiria sustentar o pagamento das cotas mensais desses “planos populares” que, ao contrário do que exige a lei atual, não ofereceriam internações e procedimentos complexos.

Outros aspectos dessa proposta, seriam a liberação da cobrança ao consumidor,  além de aumentar os prazos para atendimentos depois da marcação de consultas e para oferecimento de exames. Também poderão não se responsabilizar por coberturas em regiões mais periféricas das cidades, mesmo que os contratantes sejam moradores dessas regiões.

A Revista Radis dedicou uma reportagem especial, em abril de 2017, com a análise de especialistas no tema. Confira.

Saiba mais:

Mercadão da Saúde – RevistaRadis, abril_2017

Editorial Revista Radis abril 2017

https://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/saude-os-planos-da-segregacao

http://www.revistacapitolina.com.br/15189/

Mortes no campo: indígenas, agricultores familiares e quilombolas foram as vítimas em 2016

conflitos no campo

A violência no campo não pára de crescer.  É o que mostra a Comissão Pastoral da Terra (CPT)  no relatório que registra os casos de diversos tipos de violência acontecidos no campo brasileiro nos anos de 2015 e 2016. Foram 61 mortos em 2016: 13 indígenas, quatro quilombolas, seis mulheres e 16 jovens. A região que concentra o maior percentual de casos de violência é a “Amazônia Legal”, que compreende toda a Região Norte, além de partes do Maranhão e do Mato Grosso.

Conforme a tabela abaixo, os casos são divididos em diferentes categorias: assassinatos, tentativas de assassinatos, ameaças de morte, agredidos e presos.

mortes no campo tabela

As vítimas são pessoas com pouco ou sem nenhum pedaço de terra próprio, que plantam a maior parte dos alimentos que a população brasileira consome e realizam outras diferentes atividades de trabalho no campo de forma sustentável. Elas estão sendo perseguidas e violentadas de diferentes formas pela tentativa de reivindicar uma reforma agrária, além de garantias a direitos que atendam a todos, como o acesso de qualidade a serviços gratuitos jurídicos, de saúde, educação e transporte, entre outros.

A violência é realizada pelas “próprias mãos” de latifundiários ou a mando dos mesmos, que são donos de grandes porções de terras, na maior parte das vezes não utilizadas e somente com pasto presente. Quando utilizadas, as terras são ocupadas por atividades de pecuária e agricultura, voltadas em sua maior parte para a exportação em larga escala com destino a países desenvolvidos.

Os interesses de latifundiários, contrários às demandas por reforma agrária, proteção ambiental e direitos das populações tradicionais, como povos indígenas e quilombolas podem estar por trás do acirramento dos conflitos.

Saiba mais:

Reportagem no site ecodebate – CPT divulga relatório Conflitos no Campo 2016

Leonardo Boff – A Carta magna da ecologia integral e o grito da terra

 

Relatório da CPT 2015