Estratégia Saúde da Família está ameaçada por novo Plano Nacional de Atenção Básica

A Estratégia Saúde da Família base da Atenção Primária à Saúde nos municípios brasileiros está em risco com o novo Plano Nacional de Atenção Básica.

No dia 31 de agosto de 2017, foi aprovado uma portaria que flexibiliza as normas atuais da atenção básica em saúde, em especial na aplicação de recursos financeiros. No último 28 de dezembro, o governo publicou a portaria, que passa a regular as transferências de recursos da União para estados e municípios.

A nova medida permite o financiamento de equipes menores e com cargas horárias diferentes para cada profissional e que estados e municípios utilizem como quiserem verbas antes voltadas a áreas estratégicas como vigilância epidemiológica e atenção básica.

O modelo adotado prevê financiamento federal apenas para as equipes compostas por, no mínimo, um médico generalista ou especialista em saúde da família, um enfermeiro, auxiliar ou técnico de enfermagem e quatro agentes comunitários. Na nova portaria há a possibilidade de repasse de verbas federais pras “equipes de atenção básica” composta por um médico, um enfermeiro e o técnico de enfermagem.

O agente comunitário, membro que possibilita o vínculo com a população atendida, passa ter seu número facultado, de acordo com a necessidade do município, podendo até não estar presente na equipe. Ocorrendo, também, a redução do número de agentes, de quatro pra um.

A portaria também altera a carga horária, permitindo que o município possa contratar mais de um profissional por jornadas menores, como dois por 20h. Essa mudança de carga horária, que antes era de 40h, prejudica no cuidado da população e na criação de vínculo, além de desvalorizar a atuação dos profissionais.

Mais um ponto polêmico é a integração das funções dos agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, além desse acúmulo de funções, os agentes comunitários ganham novas funções como aferição de pressão, realização de curativos, medição de glicemia, e realização de ações de vigilância em saúde.

Esse novo modelo pode fragilizar a saúde da população já que não há sinalização de novo financiamento, a verba para as equipes incompletas sairá do montante destinado a Saúde da Família, fragilizando a estratégia e causando consequências negativas a saúde da população.

Saiba mais em:

Governo afrouxa regra para repasse e uso de verba federal destinada ao SUS, Folha de São Paulo, 28/12/2017

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/08/1914654-governo-aprova-portaria-que-afrouxa-normas-de-atendimento-basico-no-sus.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb

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Benzedeiras no Brasil: conhecedoras das plantas medicinais auxiliam em processos de cura

O benzimento é um costume antigo. Segundo o dicionário,  benzer vem do latim bene dicere, que significa bem dizer.  Dizer bem de alguém e fazer o bem. No Brasil, as benzedeiras misturam conhecimentos de plantas medicinais com religiosidade Africana, Indígena e Católica, para curar pessoas de doenças e traumas.  

A maioria das benzedeiras são mulheres, mas há homens, ainda que em menor número. Em comum, há o aprendizado desta prática com familiares. Elas são mais visíveis e solicitadas em cidades pequenas.

Este saber popular é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e está inserido no Sistema Único de Saúde  a partir de duas políticas nacionais: a Política de Práticas Integrativas e a Política de Fitoterápicos e Plantas Medicinais estabelecidas dentro da primeira década dos anos 2000 aqui no Brasil. Há municípios, como o de Rebouças,no Paraná, que também reconhecem o papel das benzedeiras como agentes de saúde.

Além do SUS, a própria OMS tem se dedicado nos estudos da fé e desenvolvimento da espiritualidade na prática clínica, e as duas organizações também indicam estes tipos de práticas como complemento do acompanhamento biomédico, dentro de uma visão holística sobre a saúde.

Elas são tema de uma reportagem que o programa de Tv Globo Rural que mostra as benzedeiras e benzedores de Rebouças, no Paraná.

Veja em:  http://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2017/11/sabedoria-antiga-dos-benzedores-une-plantas-medicinais-oracoes-e-fe.html

Saiba mais em:

http://tvbrasil.ebc.com.br/retratosdefe/episodio/benzedeiras-tradicao-e-diversidade

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/07/01/reconhecidas-por-lei-benzedeiras-modernas-resgatam-tradicao-e-rezam-pelo-celular.htm

Vidas na lama: depressão e doenças crônicas afetam vítimas do rompimento da barragem de Mariana

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Em 5 de novembro de 2015 a barragem da empresa Samarco ruiu e levou uma onda de lama para a cidade de Mariana, principalmente para os vilarejos de Bento Ribeiro e Paracatu de Baixo, em Minas Gerais. Devido ao desastre, as pessoas mudaram de casa e de rotina. Isso vem causando muitos transtornos mentais, depressão e medicalização excessiva e abusiva, principalmente em idosos, que não possuem as interações sociais de quem trabalha ou estuda. Sem a convivência com a terra e os vizinhos, não lhes restou muita coisa.

A rede de saúde mental de Mariana registra uma média de 500 atendimentos todo mês só entre a população atingida pelo rompimento. Essas pessoas ainda tem que lidar com o preconceito da população local, que as culpam pela cidade estar com 25% de desemprego, chamando-as de “encostadas” por receberam seus direitos da empresa.

Os moradores desses vilarejos também vem apresentando diversos distúrbios na saúde física, como problemas respiratórios e alergias na pele devido à poeira de minério. Apesar de terem sido inaugurados postos de saúde que atendem somente à população rural e novos profissionais terem sido contratados, muitas vezes não se tem um especialista nesses locais.

A inauguração da nova Bento Rodrigues é aguardada para março de 2019, mas o terreno nem sequer foi regularizado. A população anseia para que a Samarco cumpra sua promessa para que eles possam a voltar a ter, pelo menos, sua saúde mental restaurada.

Saiba mais em:

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41812598?ocid=socialflow_twitter

https://culturaesaude.files.wordpress.com/2017/11/mariana_2anos.pdf

Antidepressivos em questão: estamos medicalizando a tristeza?

p_amarante_nova_2015A depressão, tema do Dia Mundial da Saúde de 2017, é uma doença que vem atraindo a atenção dos profissionais da saúde e de toda a população. Concomitantemente, cresce uma nova forma de pensar esse transtorno, pautada na crítica da superestimação do diagnóstico, bem como da sua medicalização em massa. Nesse sentido estrutura-se a entrevista com Paulo Amarante – pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e presidente honoris causa da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme) – ao blog do CEE-Fiocruz.

Segundo Paulo, a prescrição de antidepressivos em massa, atualmente, representa um problema de saúde pública. Diversas pesquisas demonstraram que muitas dessas drogas tem efeito igual ou inferior ao placebo. Além disso, há um ponto pouco abordado: a retirada desses medicamentos pode gerar uma síndrome de abstinência, similar a provocada pelo abandono de álcool e drogas ilícitas. Só que, diferentemente dessas outras drogas, não há centros especializados no manejo da síndrome de abstinência dos antidepressivos.

Outra questão é que a indústria farmacêutica financia pesquisas acerca dos efeitos positivos e malefícios causados pelos pelas drogas antidepressivas, gerando resultados pouco confiáveis. Os médicos, por outro lado, muitas vezes recebem agrados – como brindes e amostras de medicamentos – dos representantes de indústrias farmacêuticas e, então, acabam receitando, consciente ou inconscientemente, esses medicamentos.

Paulo também aponta que a tristeza faz parte da vida e que é importante viver as crises, ao invés de tomar antidepressivos para suportá-las. Nesses momentos, as redes de solidariedade formadas por vizinhos, colegas, parentes e amigos desempenham importante papel. Infelizmente, estas estão em falta nas grandes cidades. É preciso reestabelecer vínculos! Certamente, existem situações realmente patológicas que podem se beneficiar de medicações, mas estas não necessariamente devem ser usadas como única ou principal ferramenta no processo de tratamento.

Veja a entrevista completa de Paulo Amarante ao blog do CEE-Fiocruz aqui.

Agrotóxico mata: ONU alerta para epidemia de doença renal crônica na América Central

Jovens de baixa renda e pequenos agricultores da América Central estão sendo acometidos por uma nova doença renal ainda pouco conhecida. Entretanto, sabe-se que está associada com poluentes ambientais, condições de trabalho precárias e agrotóxicos assim como baixa ingestão de água.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) enfatiza a necessidade de meios de prevenção da doença e identificação dos habitantes em risco de desenvolvê-la no futuro, além do início precoce do tratamento dos doentes.

A questão vem crescendo cada vez mais na região, principalmente em países como El Salvador e República Dominicana, que já se manifestaram, afirmando que se trata de um urgente e sério transtorno de saúde pública. A Opas, por sua vez, informou que continuará acompanhando a situação para promover uma vigilância e mobilização na área, além de promover melhorias no meio ambiente e nas condições de trabalhos dessas comunidades rurais.

Leia mais em: http://cartacampinas.com.br/2017/08/onu-alerta-para-doenca-misteriosa-ligada-a-agrotoxicos-e-poluentes-na-america-central/