Uso de crack é consequência da exclusão social e não a causa, diz pesquisa

O uso do crack é consequência de uma vida precária que leva à dependência e faz com que muitos sejam encontrados em situação de pobreza extrema, usando a droga nas ruas de cidades brasileiras, vulneráveis a riscos, como homicídios. Essas são algumas das conclusões da pesquisa Crack e Exclusão Social ,realizada por meio de entrevistas com usuários da droga na região metropolitana de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Salvador e Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense e coordenada pelo sociólogo Jessé Souza.

Essa constatação contradiz o senso comum, pois é comum acreditar na droga como causa para a exclusão e estigma e, não, o contrário, o que suporia que, graças ao uso da droga, a pessoa perderia sua humanidade e habilidade de convívio social. Contudo, ao avaliar mais profundamente, nota-se a “inexistência” de certas pessoas para a sociedade antes do uso de droga, sendo a mesma uma medida de “fuga da realidade”.

Quando perguntados sobre o que precisavam para largar a droga, as respostas dos usuários eram claras: um local para morar, para tomar banho, para comer, trabalho e tratamento. Diante de tal cenário, Jessé Souza concluiu que reverter a dependência é possível por meio de políticas públicas sociais, de saúde e de reintegração na comunidade e nas próprias famílias. Como exemplo, citou o programa da prefeitura de São Paulo, De Braços Abertos  que tirou usuários das ruas do centro, oferecendo moradia em hotéis próximos e empregos como gari, pagando salário e oferecendo tratamento.

Sendo assim, a importância de programas sociais de integração é, mais uma vez, pronunciada, bem como a necessidade do apoio de amigos e familiares para reestruturação da vida dos dependentes do crack.

Saiba mais , leia a reportagem da Agência Brasil

Por uma mídia que respeite os direitos humanos

Violações de Direitos Humanos na TV aberta não é um tema que costuma ser  amplamente discutido. Contudo, é extremamente frequente e, agora, pode ser denunciado por qualquer cidadão por meio da plataforma Mídia sem Violações (http://www.midiasemviolacoes.com.br/a-plataforma ) lançada pelo Intervozes (Coletivo Brasil de Comunicação Social) em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo.
Em um período de 30 dias, por exemplo, verificou-se-se a ocorrência de 4.500 violações após análise de 28 programas de rádio e TV, as quais afrontam, pelo menos, 12 leis brasileiras e 7 tratados multilaterais, além disso, puderam ser identidicadas cerca de duas mil narrativas de violações de direitos.
Ao pensarmos que direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião, ou qualquer outra condição, a violação dos mesmos significa segregação e quando tal ação envolve a mídia a situação é agravada, uma vez que, a mesma deveria ser livre, atender às diversas demandas sociais e representar a todos.
Ampliar a análise desses programas com a participação da sociedade se faz necessário para pressionar a atuação de os órgãos responsáveis pela fiscalização dos meios de comunicação e pela garantia de direitos.
Apostando no engajamento da população e tendo em vista a ausência de espaços para denunciar problemas que vemos na mídia, surgiu, então, a ideia de usar a Internet para receber e encaminhar denúncias, bem como de produzir o Ranking Nacional de Violações de Direitos Humanos na TV aberta.

O trabalho de pesquisa, análise e a participação da população na denúncia são imprescindíveis, pois dentre as consequências do desrespeito aos direitos humanos associado a mídia estão a banalização de tal ação, exacerbação do preconceito e discriminação de grupos sociais considerados “minorias”.

Participe! Conheça http://www.midiasemviolacoes.com.br/a-plataforma

Tratar não é só medicar: recomendações contra medicalização de crianças completa 1 ano

As recomendações para prevenção do uso abusivo de medicamentos na infância e adolescência  já estão completando um ano e merecem ser cada vez mais divulgadas.
tdhO Brasil é o segundo maior mercado mundial de metilfenidato (Ritalina ou Concerta), drogas usadas no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Os números indicam um processo crescente de medicalização – que transforma, artificialmente, questões não médicas em problemas médicos – e que pode estar acontecendo um uso excessivo de medicamentos por crianças e adolescentes.
O TDAH não pode ser confirmado por nenhum exame laboratorial ou de imagem, o que gera, inclusive, questionamentos quanto a sua existência enquanto diagnóstico clínico.
Em outubro de 2015, tendo em vista os riscos da medicalização excessiva e os custos do tratamento (segundo estudo publicado em 2014, variam de R$ 375,40 até R$4.955,38), as Coordenações Gerais de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, Saúde dos Adolescentes e dos Jovens e a Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde divulgaram uma recomendação para que Estados e Municípios publiquem protocolos de dispensação de metilfenidato. Essa medida é de extrema importância para discussão dos aspectos concernentes à “medicalização do tratamento” e a linha tênue entre malefícios e benefícios.

Confira as recomendações na íntegra e saiba mais

Pobreza na fartura: mais da metade dos trabalhadores rurais da AL e Caribe sofrem com a vulnerabilidade

Mais da metade dos 52 milhões de trabalhadores rurais da América Latina e Caribe se encontram em estado de pobreza e a vulnerabilidade, segundo um relatório publicado recentemente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).  O documento associa pobreza rural e agricultura, citando um estudo recente que mostra que a maioria dos pobres nas zonas rurais trabalha em atividades agrícolas, com baixos salários e pouca proteção social.

De acordo com a OIT, as zonas rurais recebem menos investimentos públicos e privados em infraestruturas produtivas e sociais, contribuindo com a grande desigualdade entre as áreas rurais e urbanas.

Embora tenha sido documentada uma série de melhoras nas condições de trabalho nas áreas rurais entre 2005 e 2014, como a cobertura de saúde,  o contraste persiste: apenas 37% da população rural têm acesso à saúde, enquanto nas zonas urbanas a porcentagem é de 62%. Em relação à cobertura previdenciária, apenas 26% da população rural está coberta e no meio urbano, 56%. Já a respeito da renda, apesar desta ter crescido mais rápido que nas áreas urbanas, a renda média das zonas rurais equivale a 68% da média nas áreas urbanas.

A taxa da pobreza rural é consideravelmente mais alta que a da urbana, atingindo 46,2%, o equivalente a 60 milhões de pessoas no campo. A taxa da pobreza urbana é de 23,8% na região latino-americana e caribenha.

No relatório, são apresentadas  recomendações para criação de políticas públicas, investimento em educação e treinamento vocacional, assim como maior proteção social aos moradores de áreas rurais, incluindo cobertura previdenciária, políticas de salário mínimo, formalização dos contratos de emprego, fortalecimento das inspeções de trabalho e da promoção de organização de trabalhadores e empregadores.

Leia o relatório completo: Panorama temático laboral  (espanhol)

Saiba mais : https://nacoesunidas.org/relatorio-da-onu-mostra-vulnerabilidade-do-emprego-rural-na-america-latina/

Veja também: Infância perdida

Relatório da Comissão Pastoral da Terra:  mais conflitos no campo em 2015

Brasil: o pior país na América do Sul para as meninas

everygirlTornar-se mulher no Brasil não é fácil. As meninas brasileiras encontram menos oportunidades, seus interesses estão subrepresentados na política, há mais possibilidades de sofrerem violência e de se tornarem mães em idade precoce. Esses e outros fatores colocam o país no 102º lugar no ranking elaborado pela organização não governamental Save the Children que pesquisou indicadores de 144 países. O Brasil está atrás da Guatemala e de Honduras, conforme noticiou os jornais O Globo, em 12/10/16.

O relatório aponta os principais problemas e recomenda soluções, como o enfrentamento por parte do Estado do casamento infantil e da maternidade precoce, a promoção e garantia de direitos sexuais e reprodutivos, e, sobretudo, representação política no legislativo e no executivo.

Saiba mais: leia reportagem no Jornal O Globo,  relatório Every last girl, da Save the Children (em inglês)

Epidemia de maternidade precoce no Brasil: reflexão e discussão