Ser menina no Brasil: desigualdade desde a infância

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O uso do tempo em tarefas domésticas já é muito maior entre as meninas do que entre os meninos. A pesquisa inédita realizada pela Plan, organização não governamental que atua na defesa de direitos de crianças e adolescentes, intitulada “Por ser menina no Brasil: crescendo entre direitos e violências”, constatou aquilo que já se observava entre os adultos: uma desigualdade gritante na distribuição de tarefas domésticas entre meninas e meninos.

Foram entrevistados 1.771 meninas de 6 a 14 anos nas cinco regiões do país matriculadas em escolas públicas e particulares, situadas no campo e na cidade.

Segundo a pesquisa, 81,4% das meninas relataram que arrumam a própria cama, tarefa que só é executada por 11,6% dos irmãos meninos. 76,8% das meninas lavam a louça e 65,6% limpam a casa, enquanto apenas 12,5% dos irmãos lavam a louça e 11,4% limpam a casa.

Saiba mais sobre a pesquisa em: http://oficinadeimagens.org.br/o-que-e-ser-menina-no-brasil-desigualdade-de-genero-desde-a-infancia/

Guia alimentar para a população brasileira: dois anos!

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Há quase dois anos o Ministério da Saúde lançou o Guia_alimentar_populacao_brasileira , para orientar uma alimentação mais saudável, diversificada e balanceada, trazendo uma nova abordagem sobre o papel da alimentação.

O ato de comer passou a ser visto com base não somente em sua relação com a saúde do indivíduo, mas também como um ato social, cultural, ambiental, multidisciplinar, envolvendo vários setores, ambientes e circunstâncias, objetivando assim, uma maior valorização do planejamento alimentar, da culinária, do ato de cozinhar. Nele ainda se destaca a importância pela qual os alimentos são produzidos e distribuídos, focando naqueles que apoiam a sustentabilidade, a rede agroecológica e os alimentos orgânicos.

O foco do Guia não é propor uma dieta, uma visão medicalizada do alimento, mas visa revolucionar o modo como o brasileiro vê, come e se relaciona com o alimento e a indústria alimentícia. A própria classificação dos alimentos em quatro tipos (in natura, minimamente processados, processados e ultra processados) apresenta a realidade do consumo e do padrão alimentar do brasileiro

Após seu lançamento campanhas, vídeos, blogs, profissionais da área de saúde vinculados ou não ao Ministério expuseram o Guia Alimentar, suas ideias, campanhas e dicas almejando reduzir o progressivo índice de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis, incentivando, ainda as refeições caseiras, a ideia de comida de verdade, de patrimônio e soberania alimentar.

Em linguagem acessível, o guia é gratuito e está disponível na versão impressa e no site do Ministério da Saúde. Destina-se tanto as famílias, como para educadores e profissionais da saúde. Por isso é de extrema importância a ampliação da divulgação do Guia para a população em geral, de modo que motive a leitura e a implementação de suas ideias nas casas brasileiras, não se restringindo ao segmento médico, às nutricionistas e à elite.

Dois anos após seu lançamento, houve mudanças relativas à publicidade de alimentos e bebidas (proibição de venda de refrigerantes em escolas, inclusão de orgânicos na alimentação escolar, rotulagem de alergênicos, regulamentação da publicidade infantil, transgênicos, etc.).

Há iniciativas de popularizar o Guia Alimentar, tornando seu conteúdo menos técnico e mais próximo da linguagem popular por meio de cartilhas, cursos online de autoaprendizagem e da fabricação de produtos que retratam os ideais do Guia.  Esse é o primeiro passo para uma revolução na Alimentação Brasileira.

Saiba mais:
http://higienealimentar.com.br/informativo/alunos-elaboram-produtos-que-visam-popularizar-guia-alimentar-271.html

http://dab.saude.gov.br/portaldab/ape_promocao_da_saude.php?conteudo=guias

Maternidade no cárcere: pesquisa mostra violação de direitos

mulheres prisãoAs mulheres gestantes e seus filhos têm sofrido com a privação de direitos nas prisões. Segundo a pesquisa Saúde Materno Infantil nas Prisões organizada pela Escola de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), elas são privadas de inúmeros direitos e informações quanto ao pré-natal, pós-natal, e o acesso a qualquer tipo de acompanhamento médico ou familiar. O encarceramento de mulheres é um fenômeno que cresceu significativamente no Brasil, dando visibilidade as políticas criminais/penitenciárias e a luta pelo direito à cidadania e a saúde.

O estudo ainda apresentou a fragilidade no cumprimento aos direitos jurídicos, reprodutivos e sociais da mulher, expondo a gestante e o recém-nato a uma situação de vulnerabilidade social.

Desse modo, são imprescindíveis a defesa e a promoção dos direitos humanos a tais grupos socialmente excluídos/discriminados, assim como o respeito ao acordo firmado pelo Brasil no Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, no qual foi firmado um acordo para promover a melhoria da saúde das gestantes, destacando ações que promoveriam a redução da mortalidade materna, a importância do exame pré-natal, da nutrição da mãe e do aleitamento materno.

Mudanças na administração penitenciária, maior atenção ao crescente número de detentas no sistema prisional brasileiro e ações que garantam o combate a desigualdade de gênero e o respeito ao direito a vida, independente da condição exposta são necessárias para que a atual situação não se agrave.

Por que criminalizar a homofobia?

homofobiaNo último mês de julho, um aluno foi encontrado morto com sinais de espancamento dentro do campus da UFRJ. Diego Vieira Machado, 24 anos, era negro e homossexual, a suspeita é de que o crime tenha motivação homofóbica. O caso levanta, mais uma vez, a questão da criminalização da homofobia, urgente em um país onde os casos de mortes por homofobia e transfobia chegaram a 318 no ano passado, segundo o grupo Gay da Bahia.

A ausência de uma legislação federal que proteja os direitos LGBT torna essa população invisível aos olhos do Congresso Nacional e não permite a elaboração de estatísticas oficiais que correspondam à realidade, dificultando ainda mais a investigação diagnóstica e a tomada de atitudes para combate da causa da violência, como a promoção de políticas públicas que eduquem a população sobre diversidade.

A criminalização da homofobia significa o reconhecimento por parte do Estado das diversas orientações sexuais e identidades de gênero como fatores que conferem vulnerabilidade, além de proteção à essa população ao estabelecer punições devidas quando ocorre sua violação. Com a criminalização, a violência por motivação homofóbica não será registrada apenas como uma simples agressão, mas como um crime passível de prisão, como acontece com o racismo há 27 anos no Brasil.

A homofobia, como todos os tipos de preconceitos, são fundamentados na ignorância. A criminalização constitui-se em apenas um passo para o combate da discriminação da população LGBT. Seu intuito é garantir o direito de ser diferente na esfera da convivência, porém a esfera da consciência só é passível de mudança a partir de uma educação libertadora.

Saiba mais:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/07/1788163-aluno-da-ufrj-e-encontrado-morto-em-campus-com-sinais-de-espancamento.shtml

Outras Fontes:

http://www.brasilpost.com.br/2016/02/26/relatorio-homofobia_n_9330692.html

http://legis.senado.leg.br/mateweb/arquivos/mate-pdf/140405.pdf

http://dimitri-sales.ig.com.br/index.php/2014/09/15/porque-criminalizar-a-homofobia/

http://atarde.uol.com.br/brasil/noticias/1742381-318-homossexuais-foram-mortos-no-brasil-em-2015

http://www.brasilpost.com.br/2016/03/24/lgbtfobia_n_9535490.html

http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2015-11/com-600-mortes-em-seis-anos-brasil-e-o-que-mais-mata-travestis-e

http://csalignac.jusbrasil.com.br/noticias/351327422/intolerancia-homofobia-e-construida-no-cotidiano-desde-a-infancia-afirma-psicologa?ref=topic_feed

http://www.brasilpost.com.br/2015/05/17/story_n_7301070.html

https://homofobiamata.wordpress.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saúde mental é urgente

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Saúde mental é, ainda hoje, assunto incompreendido, polêmico e objeto de preconceito. Típicas frases como “não é nada demais” e “é frescura” continuam a ser ouvidas por pessoas com alguma doença ou distúrbio de cunho psiquiátrico, o que, muitas vezes, agrava o problema e retarda a busca por ajuda. O tema foi desta grande mídia recentemente, nos jornais O Globo, Progresso e no programa de TV Profissão Repórter.

No Brasil, 24 milhões de pessoas precisam de atendimento de saúde mental e cinco milhões sofrem de transtornos graves, como depressão, bipolaridade e esquizofrenia Os números são alarmantes, ainda mais quando sabemos que muitos profissionais de saúde não são capacitados para identificar e atender esses pacientes.

No mundo, segundo a OMS em um estudo de 2016, 33 por cento da população mundial sofre de ansiedade e São Paulo foi a cidade com a maior incidência de perturbações mentais, com destaque para a ansiedade, no mundo revelando que pelo menos 29,6% dos paulistanos tem sua saúde mental comprometida.

Desde que foi categorizada como uma doença inserida na terceira edição do DSM (sigla em inglês para Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a ansiedade desdobrou-se em muitos males, como fobias e alguns tipos de transtorno – do pânico, obsessivo-compulsivo, de estresse pós-traumáticos, de ansiedade social ou de ansiedade generalizada.

Além dos problemas inerentes aos indivíduos, os transtornos mentais também tem sido responsáveis por agravos ao mercado de trabalho. Segundo a Previdência Social, os transtornos mentais já são a terceira razão de afastamentos do trabalho no Brasil.

A situação é preocupante também para jovens, pois quase um em cada três adolescentes brasileiros sofre de transtornos mentais comuns (TMC), caracterizados por tristeza frequente, dificuldade para se concentrar ou para dormir, falta de disposição para tarefas do dia a dia, entre outros sintomas³.

Segundo a epidemiologista Katia Bloch, há uma associação entre transtornos e a ansiedade bem como doenças cardiovasculares. É uma via de mão dupla: tanto os transtornos mentais comuns podem ser fator de risco para doenças cardiovasculares, por conta de uma mudança nos hormônios, quanto essas doenças cardiovasculares podem acabar provocando algum transtorno mental³.

Sendo assim, é importante e necessário falarmos sobre saúde mental, capacitar profissionais e afastar a ideia do “você não tem nada” tão comumente ouvida por muitos indivíduos, os quais precisam de apoio, tratamento e acompanhamento.